Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Pensamentos recorrentes...

 

Tenho uma amiga que diz nunca ter tido uma relação realmente séria com alguém... O prazo de validade das suas relações amorosas chegou sempre rapidamente, sem que houvesse propriamente tempo para criar bases sólidas para construir algo maior. O espaço que eventualmente possa vir a ser ocupado com um grande amor vai (por agora) sendo preenchido pelo carinho e presença forte dos amigos (que também a têm como um dos pilares mais fortes da sua própria vida), bem como pelo trabalho, que lhe ocupa grande parte do tempo e das preocupações.

 
Se estivéssemos num determinado filme de Hollywood, agora estaria a dizer: “But a life without love, that’s... terrible! Love is like oxygen! Love is a many splendored thing; Love lifts us up where we belong... All you need is love!”. Mas como não estamos, não direi nada disso.
 
Aliás, parece-me que esta situação é cada vez mais a regra e não a excepção. Com o avançar da idade, vamos passando por várias experiências pessoais e sociais, que nos vão dando algumas alegrias, mas também algumas decepções. E com o aprofundar da experiência de vida e da personalidade, torna-se (de dia para dia) mais difícil sermos capazes de nos confiarmos totalmente nas mãos de alguém, adaptando-nos (dentro do possível) ao seu jeito de ser, aos seus “quês”, às suas limitações.
 
Então mas... isso quer dizer que a partir de uma certa altura (determinada pelo nosso envelhecimento ou pelas cabeçadas que vamos dando) deixamos de ser capazes de amar? Ou melhor, deixem-me reformular: deixamos de ser capazes de amar verdadeiramente uma nova pessoa que até então não amávamos, ou nem sequer conhecíamos? Acho que pelo menos fica muito mais difícil.
 
Passamos a entrar a medo em tudo, apalpando bem o terreno antes de o pisar, calculando todos os riscos (evitando-os ao máximo) e sempre à espera que a qualquer momento possa vir a rasteira que nos vai trazer de novo ao chão, porque achamos que assim não iremos sofrer, porque assim podemos dizer, quando as coisas correrem mal, que “eu já sabia que não ia dar certo”. A verdade é que não sofremos menos com isso... Talvez até pelo contrário, tendo em conta a distância higiénica que vamos colocando entre nós e o resto do mundo (abrindo as únicas excepções para os amigos mais próximos e que, como tal, nunca poderão ser vistos com outros olhos que não o de irmãos).
 
Sabem que mais? Acho que pensamos demais, medimos demais, calculamos demais. Arriscamos de menos, sonhamos de menos, vivemos de menos. E quase sempre acabamos por ser castigados quando tentamos contrariar essa tendência geral.
 
Faz falta viver a “Folia”!
 
 
Que rua tão torta e tão longa, a do amor
Que vento tão forte lá sopra, é o do amor
Por vezes parece uma rua assombrada
Com sombras de bruxa fazendo de fada

Que faço eu na rua deserta do amor
Não há uma só porta aberta pró amor
Por vezes lá se abre uma frincha de nada
Na porta do amor que eu queria escancarada
 
(Sérgio Godinho – Amores de Marta – in Os amigos do Gaspar)
 
 

Por favor leiam este texto do Miguel Esteves Cardoso que saiu no Expresso há uns anos, e que encontrei neste blog...

 

sinto-me: Curioso
música: Amores de Marta - Sérgio Godinho
publicado por Nuno às 16:26
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2 comentários:
De Anónimo a 7 de Novembro de 2008 às 20:50
LOL
De Marta a 11 de Novembro de 2008 às 16:46
A Marta e os seus amores...E tantos que ela tem! :) Mas a porta continua escancarada... Até o dia! E nada de senhas, tá?!? ;)

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