Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

O telemóvel e o amor...

 

Um ponto prévio: não tenho absolutamente nada contra telemóveis! Aliás, até uso dois (apesar de não gostar muito disso)… Adoro tecnologia, gadgets, etc. e não há dúvida que o telemóvel é uma das maiores invenções desde a roda (especialmente os que todos os dias vão saindo, com novas funcionalidades, já capazes de nos indicar caminhos por GPS, tirar fotografias com muitos megapixéis e, com jeitinho, até fazer uma tosta mista).

 
No entanto (e agora sim, começa este post), é impressão minha ou o telemóvel é um dos maiores responsáveis pelo decréscimo do romantismo e dos grandes amores?
 
Passo a explicar:
 
De há uma dezena de anos para trás, na idade da pedra, a pessoa comum ainda não tinha acesso aos telemóveis (se alguém por volta dos 18/20 anos lê este blogue, imagino que agora esteja com a boca muito aberta, a pensar “o quê? Já houve uma altura em que as pessoas não tinham telemóvel? Mas como é que conseguiam viver?” É verdade meu caro amigo, assim era… e cuidado que, de tanto espanto, tem já um pequeno fio de baba a escorrer e a ameaçar cair sobre o teclado do computador, ou o visor do seu iphone, o que seria uma chatice tremenda!).
E como em qualquer época na história da humanidade, a necessidade aguça o engenho e tínhamos de recorrer ao telefone fixo e às cartas para comunicar à distância (caro amigo de 18/20 anos, sente-se e respire fundo: nessa altura também quase ninguém tinha internet em casa e portanto não se podia usar o Messenger, Hi5 ou email).
 
Ora, isto de um rapaz engraçar com uma rapariga nessa altura tinha muito que se lhe diga… não dava para simplesmente mandar um SMS a combinar um café ou um cinema (onde, com sorte, as coisas se podem desenrolar pelo melhor). Nessa altura, para tentar uma aproximação era preciso telefonar para casa dela e rezar para que não fossem os pais a atender, para a situação não ser ainda mais embaraçosa do que já era só por si. Ora isto levava a duas consequências: não se ligava indiscriminadamente para qualquer rapariga que se conhecesse, porque se os pais atendessem era complicado tentar explicar quem era o rapaz que estava a ligar para falar com a sua menina (pelo que esse risco era minimizado, só ligando para quem era realmente importante); e, em resultado disso, cada tentativa era tomada como séria, como um grande investimento, pelo que se punha todo um aglomerado de sentidos e sentimentos em alerta. Daí que, por norma, quando a relação se concretizava, era mais a sério, de forma mais convicta. Dificilmente se entrava numa relação só “porque hoje me apeteceu”, até porque ao fim de dois ou três dias os pais descobriam sempre, ainda que pudessem disfarçar (o mesmo rapaz ligar tantas vezes seguidas não passava propriamente despercebido), e ai de nós se os pais suspeitassem sequer que as intenções não eram o mais sérias possível!
 
Hoje em dia o telemóvel favorece o aparecimento de muitas relações. É mais fácil manter um contacto mais constante com a pessoa que nos despertou a atenção e, dessa forma, ir aprofundando o conhecimento e favorecer o surgimento de algo mais. Mas também tem o reverso da medalha: grande parte das vezes essas relações são menos profundas, vivem mais do momento do que propriamente do sentimento de que algo maior poderá advir daquele encanto inicial que a um dado momento surgiu.
 
E às tantas, estamos tão habituados ao refúgio das SMS ou do Messenger, onde se pode pensar 10 vezes antes de se dizer qualquer coisa, que quando estamos frente a frente com essa pessoa, sentimos que não conseguimos dizer nada de inteligente, divertido, acertado, romântico, …! Começamos a engasgar-nos, a não saber bem o que dizer para não dar demasiado nas vistas e fazemos figura de parvos. Ainda estamos a acabar uma frase e já, no mesmo momento, pensamos que estamos a dizer uma das maiores alarvidades que este mundo já ouviu.
 

Definitivamente, com tudo o que hoje temos à mão, é muito mais difícil impressionar… quando antes um simples telefonema era visto como um impressionante acto de bravura e uma valente prova de amor!

 

sinto-me: Esquisito
música: Fon Fon Fon - Deolinda
publicado por Nuno às 15:37
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1 comentário:
De Andreia a 14 de Novembro de 2008 às 10:40
Ah, está explicado, portanto.

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