Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

O que eu te queria dizer... (parte 1)

 

Há algumas coisas que eu queria poder dizer-te… Algumas são bem simples, outras demasiado complicadas. Mas a verdade é que não há espaço para que tas possa revelar. Até porque nunca chegámos a ficar suficientemente próximos para isso.

 
A verdade é que me fascinas. Há várias coisas em ti que admiro profundamente. Muitas que invejo e desejava ser capaz de aprender contigo. Tens algo de magnético, que me leva a ter dificuldades em parar de olhar para ti ou de conseguir resistir a ouvir qualquer palavra ou som que saia da tua boca.
 
E, no entanto, nada disto é, ainda assim, suficiente. Tenho demasiada dificuldade em chegar junto de ti. Até em falar contigo. E não entendo porquê. Ao mesmo tempo que me encantas, também me intimidas. Junto de ti, da minha boca parece sair apenas um amontoado de palavras e expressões parvas, ideias estúpidas e sem sentido.
 
Mas tu foste o mais próximo que eu já estive de ser salvo. Como se depois de naufragar e andar dias a tentar sobreviver, flutuando à deriva no meio do oceano, tivesse de repente passado por mim um barco, onde uma mão se esticava para me agarrar e puxar para bordo, ainda que o barco não parasse a sua marcha. Não cheguei a agarrar essa mão… os dedos escorregaram no último momento, quando parecia que o salvamento estava quase concluído. O barco continuou, sem parar… e neste momento já não sei dizer se desejo que volte atrás para me apanhar, ou se prefiro que o oceano tome conta de mim, de uma vez por todas.
 
Não deixa de ser estranho que muito do que mais admiro em ti seja também, provavelmente, das principais razões que levariam a um eventual afastamento entre nós, no futuro. Há coisas que ambos teríamos de fazer um enorme esforço por aceitar, adaptar-nos… e sejamos sinceros: nenhum dos dois é propriamente um mestre nessa coisa de se moldar ao outro, de aceitar o outro tal como é, sem o querer transformar ao nosso jeito.
Aqui há tempos, em conversa com alguém próximo, dizíamos que temos sempre a tendência para querer que a pessoa que está ao nosso lado seja a maior, a melhor. A maior na inteligência, a maior na convivência, a maior na alegria, a maior da aldeia ou nem que seja a maior a jogar matrecos! Mas tem de ser a maior em alguma coisa, para que a possamos olhar com admiração, entusiasmo, para que seja para nós um desafio e não alguém para quem olhamos de cima, como se não tivéssemos nada a aprender com ela (na nossa infinita tendência natural para isso, enquanto pessoas com o nosso tipo de personalidade). E tu és, sem dúvida, a maior da tua aldeia! Mas eu não o sou.

 

Por isso é tão difícil chegar até ti! Tens demasiadas defesas, demasiadas barreiras à tua volta, demasiadas ansiedades e ocupações no teu espírito… E eu tenho demasiadas dúvidas, questões mal resolvidas, indecisões, avanços e recuos, fantasmas e indefinições. Mas a verdade é que, de vez em quando, continuo a olhar para o horizonte, numa vaga esperança de que o barco volte atrás!

 

sinto-me: Intimidado
música: Quase Perfeito - Donna Maria
publicado por Nuno às 16:51
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1 comentário:
De Daniel a 13 de Abril de 2009 às 23:57
É impressionante ler os teus textos. Simplesmente porque reflectem de tal forma tudo por que estou a passar que é assustador! Parece que falamos da mesma pessoa e que nós próprios somos uma só pessoa. Parabéns pelos teus textos que me inspiraram e que, de certa forma, me fizeram abir os olhos.

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