Domingo, 30 de Novembro de 2008

Crónica de um dia normal...

 

“…é verdade, a melhor música é mesmo aqui, na Comercial. Em seguida vamos saber como está o trânsito nesta manhã de terça-feira…”.

Eram 7:30 e a voz do locutor, que vinha do rádio-despertador, anunciava que estava na hora de começar um novo dia. Mas estava tanto frio fora da cama… mais cinco minutos deitado não iriam fazer mal com certeza! A muito custo lá se levantou finalmente às 8:00, correndo rapidamente para a banheira enquanto pensava “ah, que se lixe, hoje a barba vai mesmo por fazer!”. Quarenta minutos mais tarde, depois de ter comido qualquer coisa e escolhido algo para vestir (o que estava mais à mão, sem grandes preocupações estéticas), saiu de casa, entrou no carro e arrancou. O frio não tinha sido uma impressão de quem acorda numa cama quente: devia mesmo ser um dos dias mais frios daquele Outono, que ia caminhando decidido para o seu fim.
“Bom dia. Obrigado!”, disse numa voz ainda meio adormecida… a cara daquela portageira já era minimamente familiar destas viagens matinais a caminho do trabalho, juntamente com a de mais três ou quatro que habitualmente ocupavam aquele lugar na portagem a essa hora. Felizmente a deslocação era feita em sentido contrário ao da maioria do trânsito, pelo que poucos minutos depois chegou ao local de trabalho. Entre arrepios de frio, subiu a escadaria e, depois de cumprimentar toda a gente, sentou-se na sua secretária, em frente ao computador.
 
Os seus dias pareciam repetir-se, eternamente, sem pontos altos ou baixos, simétricos, imutáveis, pouco emocionantes, sem nuances, ou acontecimentos inesperados. Mesmo as coisas que hoje eram diferentes de ontem, eram absolutamente iguais às de há uma semana, quinze dias ou um mês atrás. Os momentos de maior expectativa, em que algo diferente acontecia, nos quais ele punha as suas esperanças e anseios, acabavam por terminar sem alterações em relação ao que era normal, ao que já antes tinha acontecido, à situação em que se encontrava, sem concretizar o que ele sonhava. E já há bastante tempo que isto era assim.
 
Nesse dia ele tinha combinado um encontro e, como sempre, sonhava que algo desta vez pudesse ser diferente, mas na realidade não acreditava muito nisso.
Já muitas vezes tinha estado com ela e nunca sentiu que houvesse dela qualquer resposta ao encanto que a partir de determinada altura sentiu e o prendeu.
Ainda hoje sabia dizer exactamente qual o dia e o momento em que, de uma forma completamente inesperada, tudo mudou. Quando esse dia começou, ela era-lhe pouco mais que indiferente… a meio da tarde já não conseguia parar de pensar nela.
 
Foi com alguma impaciência que foi vendo o tempo passar, lentamente, minuto a minuto no canto inferior direito do ecrã do computador. Até que a hora chegou. E aí, como tudo o que é muito antecipado, custava-lhe acreditar que estivesse na hora de ficar cara-a-cara com ela. Só os dois. Isso sim, era raro. Entrou no carro e arrancou mais rápido do que seria normal, na ansiedade de chegar rapidamente ao local combinado.
 
Quando chegou, ela ainda não estava lá, o que lhe permitiu respirar fundo e sentir o corpo vibrar sem perceber bem se isso se devia ao frio ou aos nervos, mas com o palpite de que seria uma combinação de ambos. Mas esse pensamento foi interrompido pela visão da pessoa que esperava, chegando calmamente no seu carro, enquanto sorria para ele, como que a dizer “já cá estou!”.
Ela trocou de carro, cumprimentou-o com dois beijinhos e um “olá! Já estavas aí há muito tempo?”. “Não, cheguei mesmo agora.” - respondeu ele, enquanto ligava o carro e arrancava, fazendo um mapa mental do caminho que deveria seguir.
 
Ao chegar ao café, escolheram uma mesa e acabaram por pedir bebidas quentes, para ajudar a disfarçar o frio que continuava a ser muito. Falaram sobre várias coisas, mas quase todas relativamente triviais. De cada vez que ele fixava os olhos dela sentia vontade de abrir o jogo, de lhe dizer o quanto gostava dela, o quão feliz se sentia quando estava perto dela, o quanto o mundo dele era tão mais colorido, alegre e cheio de esperança desde que ela fazia parte dele. Mas em todas essas vezes ouvia uma voz dentro dele que lhe dizia “ainda não é tempo… não queiras apressar tudo, vais deitar tudo a perder!”. Então a conversa continuou, leve, divertida, mas sem entrar por caminhos muito pessoais, que pudessem levar à revelação dos sentimentos que ele achava serem já, provavelmente, muito evidentes e que, na realidade, tinha vontade de gritar ao mundo… mas que tinha medo, para já, de verbalizar em frente dela.
 
Quando se aperceberam de que o tempo tinha voado sem que dessem por isso, pagaram a conta e apressaram-se até ao carro, fugindo ao máximo das gotas de chuva que começavam entretanto a cair. O caminho de volta demorou mais tempo a percorrer, devido à pouca vontade de que a noite terminasse, que o levou a pisar mais levemente o acelerador. Até que chegaram. O motor silenciou-se, enquanto eles riam de algo que havia sido dito. Os olhos e o sorriso dela eram como ímanes que faziam com que ele não conseguisse parar de olhar para ela. O silêncio instalou-se. Não um silêncio incómodo de quem procura o que dizer a seguir. Antes um silêncio de quem se apercebia totalmente da presença do outro e apreciava essa companhia.
 
“Bom, tenho de ir andando”. A voz dela soou calma, suave. Ele estava capaz de dar tudo o que tinha para saber o que se passava nos pensamentos dela. Aproximaram-se um do outro. Ele sentiu a respiração acelerar. As suas caras encaminhavam-se uma para a outra. O seu coração fazia questão de deixar bem perceptível que batia! Até que por fim… a cara dela se desviou para a direita da dele e em seguida para a esquerda. Dois beijinhos. “Boa noite! Dorme bem.”. Ele ouviu-se dizer “adeus” sem perceber bem de onde vinha a palavra. A porta do carro bateu e ele ficou a ouvir o som do outro carro a ser ligado e arrancar, enquanto correspondia ao gesto de despedida que ela fazia com a mão, enquanto desaparecia.
 
Ele tinha razão. Mais uma vez ele tinha razão! Nada tinha sido diferente… a vida seguiria igual, imutável, inalterada. Ele continuaria a viver de teorias, de sonhos.

O amor continuaria a ser um sentimento solitário.

 

sinto-me: Resignado
música: Lover, you should've come over - Jeff Buckley
publicado por Nuno às 22:54
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Conversas adiadas...

 

Há duas pessoas com quem preciso de falar.

São duas conversas importantes, urgentes e inadiáveis. No entanto, são conversas que não podem acontecer.

 
Não é que não possam fisicamente ocorrer, pelo contrário, até seria relativamente fácil fazê-lo. Mas diria que não há condições para isso. E ambas pela mesma razão: as duas levariam, muito provavelmente, a um afastamento indesejável.
 
Mas quase todos os dias dou por mim a olhar para o telemóvel, a pensar que é desta que não vou conseguir aguentar nem mais 5 minutos sem enviar uma sms a combinar essas mesmas conversas (muito particularmente uma delas).
 
Mas a piéce de resistance é o facto de que, quando estou com qualquer das duas pessoas em questão, mal consigo falar… ou melhor dizendo, pareço incapaz de dizer alguma coisa de jeito! Isto é particularmente verdade com uma delas – a mesma da sms! E simplesmente não o consigo explicar… Talvez me sinta intimidado, envergonhado, amedrontado, ou qualquer outro “ado”! Não sai nada!
Então resta-me continuar a fazer figura de pessoa completamente desinteressante (talvez não esteja longe da verdade), incapaz de ter uma conversa decente, até chegar o dia em que algo mude o panorama actual.
 
Mas agora estou curioso para ver se alguma dessas pessoas percebe, depois de ler isto, que me refiro a ela e me diz alguma coisa…
 
 
Continuo a estar demasiado impaciente… acho que já não tem cura, enquanto a vida seguir como está!
 
sinto-me: Desinteressante!
música: Wishlist - Pearl Jam
publicado por Nuno às 21:45
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Tempo de focar...

 

1. Nada nesta vida é seguro. Já não há apostas certas, garantidas, sem riscos. Quando se arrisca, ganha-se ou perde-se, não há empates simpáticos em que podemos simplesmente encolher os ombros e dizer “ah, para a próxima corre melhor”. E o mesmo acontece quando se fazem escolhas.

 
2. Não sei se o sentimento é geral, mas eu tenho uma certa tendência a evitar um pouco o que é desconhecido, imprevisível. Tudo o que fuja ao meu controlo (real, percepcionado ou simplesmente sentido, por saber com o que contar) é muito difícil de gerir a nível emocional e, por isso mesmo, existe uma inclinação natural para a rejeição, ou para dizer “era capaz de ser bom… mas aqui no cantinho que eu conheço bem é mais seguro!”.
 
3. Há decisões ou opções que tomamos, que acabam por não ser muito mais que simbólicas. Isto acontece porque, por muito que as tomemos, em última análise não depende de nós (ou não depende só de nós) fazer com que o que elas preconizam se torne realidade. Eu posso decidir que amanhã vou comer caviar… mas se não tiver dinheiro para o comprar, simplesmente não vou poder comê-lo! Então de que me serviu tomar essa decisão? Bom, no caso do caviar, não serviu de grande coisa, mas há outras situações em que, por improvável que seja a concretização da decisão, há uma necessidade intrínseca de fazer essa opção. Podemos dizer que é algo do estilo de uma “decisão moral”. Serve, antes de mais, para separar as águas e saber por onde nos guiamos… Talvez um pouco como alguém que olha para um mapa, sem saber ainda muito bem que caminho usará para chegar ao seu destino, mas que tem de perceber ao menos que caminho deve evitar: não tem a garantia de que vai escolher o melhor caminho, ou o mais rápido (nem até de que o carro tem gasolina suficiente para a viagem, ou que vai sequer pegar!), mas toma a decisão de que, se for, terá de ir algures naquela direcção!
 
 
(ufa, que isto de fazer um post que parte de três premissas diferentes é cansativo! Respirar fundo… então vamos lá à tentativa de conclusão!)
 
No que toca a “decisões morais”, sinto-me muitas vezes inclinado a fazer a opção mais arriscada, menos conservadora… talvez por pensar que dificilmente se concretizarão. Se as tentar tirar do plano teórico e concretizá-las (ou imaginá-las concretizadas), volto a questionar-me se não seria melhor deixar-me de “aventuras” e voltar ao que conheço bem (mesmo que essa opção não ofereça, aparentemente, grandes vantagens ou grandes melhorias ao estado actual das coisas).
Mas talvez seja agora ou nunca a altura de ir pelo risco… Um risco talvez demasiado elevado, tendo em conta as baixíssimas hipóteses de concretização. Mas, ainda assim, um risco que pode valer muito a pena. Mas custa sempre tanto deixar o cantinho a que estamos habituados… (já dizia o outro: “I miss the comfort in being sad”… até a tristeza pode ser um lugar confortável, de vez em quando!).
 
Enfim, como alguém me disse há poucos dias, talvez esteja na altura de me “focar”!
 
 
 

P.S. (já fora de contexto): Valeu mesmo a pena ter saído de casa, ainda um pouco adoentado, para ir ver Brandi Carlile ontem à noite… Concerto absolutamente magnífico! Pena ter sido tão curtinho, mas foi simplesmente irrepreensível. Fantástica voz, grande canção 100% acústica numa sala daquele tamanho, grande público, grande “The Story”, grande "Creep" (Radiohead), enorme “Folsom Prison Blues” (Johnny Cash) e monumental “Hallelujah” (Jeff Buckley). Perfeito!

 

sinto-me: A focar!
música: Hallelujah - Jeff Buckley, by Brandi Carlile
publicado por Nuno às 16:39
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

O telemóvel e o amor...

 

Um ponto prévio: não tenho absolutamente nada contra telemóveis! Aliás, até uso dois (apesar de não gostar muito disso)… Adoro tecnologia, gadgets, etc. e não há dúvida que o telemóvel é uma das maiores invenções desde a roda (especialmente os que todos os dias vão saindo, com novas funcionalidades, já capazes de nos indicar caminhos por GPS, tirar fotografias com muitos megapixéis e, com jeitinho, até fazer uma tosta mista).

 
No entanto (e agora sim, começa este post), é impressão minha ou o telemóvel é um dos maiores responsáveis pelo decréscimo do romantismo e dos grandes amores?
 
Passo a explicar:
 
De há uma dezena de anos para trás, na idade da pedra, a pessoa comum ainda não tinha acesso aos telemóveis (se alguém por volta dos 18/20 anos lê este blogue, imagino que agora esteja com a boca muito aberta, a pensar “o quê? Já houve uma altura em que as pessoas não tinham telemóvel? Mas como é que conseguiam viver?” É verdade meu caro amigo, assim era… e cuidado que, de tanto espanto, tem já um pequeno fio de baba a escorrer e a ameaçar cair sobre o teclado do computador, ou o visor do seu iphone, o que seria uma chatice tremenda!).
E como em qualquer época na história da humanidade, a necessidade aguça o engenho e tínhamos de recorrer ao telefone fixo e às cartas para comunicar à distância (caro amigo de 18/20 anos, sente-se e respire fundo: nessa altura também quase ninguém tinha internet em casa e portanto não se podia usar o Messenger, Hi5 ou email).
 
Ora, isto de um rapaz engraçar com uma rapariga nessa altura tinha muito que se lhe diga… não dava para simplesmente mandar um SMS a combinar um café ou um cinema (onde, com sorte, as coisas se podem desenrolar pelo melhor). Nessa altura, para tentar uma aproximação era preciso telefonar para casa dela e rezar para que não fossem os pais a atender, para a situação não ser ainda mais embaraçosa do que já era só por si. Ora isto levava a duas consequências: não se ligava indiscriminadamente para qualquer rapariga que se conhecesse, porque se os pais atendessem era complicado tentar explicar quem era o rapaz que estava a ligar para falar com a sua menina (pelo que esse risco era minimizado, só ligando para quem era realmente importante); e, em resultado disso, cada tentativa era tomada como séria, como um grande investimento, pelo que se punha todo um aglomerado de sentidos e sentimentos em alerta. Daí que, por norma, quando a relação se concretizava, era mais a sério, de forma mais convicta. Dificilmente se entrava numa relação só “porque hoje me apeteceu”, até porque ao fim de dois ou três dias os pais descobriam sempre, ainda que pudessem disfarçar (o mesmo rapaz ligar tantas vezes seguidas não passava propriamente despercebido), e ai de nós se os pais suspeitassem sequer que as intenções não eram o mais sérias possível!
 
Hoje em dia o telemóvel favorece o aparecimento de muitas relações. É mais fácil manter um contacto mais constante com a pessoa que nos despertou a atenção e, dessa forma, ir aprofundando o conhecimento e favorecer o surgimento de algo mais. Mas também tem o reverso da medalha: grande parte das vezes essas relações são menos profundas, vivem mais do momento do que propriamente do sentimento de que algo maior poderá advir daquele encanto inicial que a um dado momento surgiu.
 
E às tantas, estamos tão habituados ao refúgio das SMS ou do Messenger, onde se pode pensar 10 vezes antes de se dizer qualquer coisa, que quando estamos frente a frente com essa pessoa, sentimos que não conseguimos dizer nada de inteligente, divertido, acertado, romântico, …! Começamos a engasgar-nos, a não saber bem o que dizer para não dar demasiado nas vistas e fazemos figura de parvos. Ainda estamos a acabar uma frase e já, no mesmo momento, pensamos que estamos a dizer uma das maiores alarvidades que este mundo já ouviu.
 

Definitivamente, com tudo o que hoje temos à mão, é muito mais difícil impressionar… quando antes um simples telefonema era visto como um impressionante acto de bravura e uma valente prova de amor!

 

sinto-me: Esquisito
música: Fon Fon Fon - Deolinda
publicado por Nuno às 15:37
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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Pensamentos recorrentes...

 

Tenho uma amiga que diz nunca ter tido uma relação realmente séria com alguém... O prazo de validade das suas relações amorosas chegou sempre rapidamente, sem que houvesse propriamente tempo para criar bases sólidas para construir algo maior. O espaço que eventualmente possa vir a ser ocupado com um grande amor vai (por agora) sendo preenchido pelo carinho e presença forte dos amigos (que também a têm como um dos pilares mais fortes da sua própria vida), bem como pelo trabalho, que lhe ocupa grande parte do tempo e das preocupações.

 
Se estivéssemos num determinado filme de Hollywood, agora estaria a dizer: “But a life without love, that’s... terrible! Love is like oxygen! Love is a many splendored thing; Love lifts us up where we belong... All you need is love!”. Mas como não estamos, não direi nada disso.
 
Aliás, parece-me que esta situação é cada vez mais a regra e não a excepção. Com o avançar da idade, vamos passando por várias experiências pessoais e sociais, que nos vão dando algumas alegrias, mas também algumas decepções. E com o aprofundar da experiência de vida e da personalidade, torna-se (de dia para dia) mais difícil sermos capazes de nos confiarmos totalmente nas mãos de alguém, adaptando-nos (dentro do possível) ao seu jeito de ser, aos seus “quês”, às suas limitações.
 
Então mas... isso quer dizer que a partir de uma certa altura (determinada pelo nosso envelhecimento ou pelas cabeçadas que vamos dando) deixamos de ser capazes de amar? Ou melhor, deixem-me reformular: deixamos de ser capazes de amar verdadeiramente uma nova pessoa que até então não amávamos, ou nem sequer conhecíamos? Acho que pelo menos fica muito mais difícil.
 
Passamos a entrar a medo em tudo, apalpando bem o terreno antes de o pisar, calculando todos os riscos (evitando-os ao máximo) e sempre à espera que a qualquer momento possa vir a rasteira que nos vai trazer de novo ao chão, porque achamos que assim não iremos sofrer, porque assim podemos dizer, quando as coisas correrem mal, que “eu já sabia que não ia dar certo”. A verdade é que não sofremos menos com isso... Talvez até pelo contrário, tendo em conta a distância higiénica que vamos colocando entre nós e o resto do mundo (abrindo as únicas excepções para os amigos mais próximos e que, como tal, nunca poderão ser vistos com outros olhos que não o de irmãos).
 
Sabem que mais? Acho que pensamos demais, medimos demais, calculamos demais. Arriscamos de menos, sonhamos de menos, vivemos de menos. E quase sempre acabamos por ser castigados quando tentamos contrariar essa tendência geral.
 
Faz falta viver a “Folia”!
 
 
Que rua tão torta e tão longa, a do amor
Que vento tão forte lá sopra, é o do amor
Por vezes parece uma rua assombrada
Com sombras de bruxa fazendo de fada

Que faço eu na rua deserta do amor
Não há uma só porta aberta pró amor
Por vezes lá se abre uma frincha de nada
Na porta do amor que eu queria escancarada
 
(Sérgio Godinho – Amores de Marta – in Os amigos do Gaspar)
 
 

Por favor leiam este texto do Miguel Esteves Cardoso que saiu no Expresso há uns anos, e que encontrei neste blog...

 

sinto-me: Curioso
música: Amores de Marta - Sérgio Godinho
publicado por Nuno às 16:26
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Sábado, 1 de Novembro de 2008

Uma pequena história...

 

Lá fora, o carro e a rua estavam completamente molhados. Não chovia, mas a humidade do ar era tanta, que a água quase escorria pelo empedrado daquela viela fracamente iluminada. O ar que saía da boca condensava rapidamente, enquanto o corpo tremelicou por um segundo sentindo o frio que estava lá fora, ao fechar as portadas da janela do quarto, já apenas com o pijama vestido.

Ela entrou no quarto, no seu pijama com ursinhos, fechou a porta e deitou-se na cama, aninhando-se bem nos lençóis e na meia dúzia de cobertores que davam peso mas ainda não muito calor.
- Está frio… está muito frio…
- Oh, aqui dentro não está tanto frio assim!
 
Ele juntou-se a ela, já com o (emprestado) computador ligado à electricidade, para prevenir que a sessão cinematográfica ficasse a meio por falta de bateria… certamente mais tarde faltaria a coragem de sair da cama quente.
127 minutos depois o sono já era algum, mas os olhos estavam ainda bem abertos, encantados com o que acabavam de ver. Mas acima de tudo, com vontade de ver mais… com vontade de olhar para o lado. Quente é a melhor palavra para descrever o beijo. Quente porque fez esquecer por completo o frio que pairava no ar. Quente porque aqueceu os dois corações que ali se encontraram…
 
 
 
Talvez um dia chegue mesmo a pôr por escrito esta história que me vem das profundezas mais insondáveis da minha cabeça, ou do meu coração… Talvez possa vir a dar um bom livro, quem sabe?! Tenho um começo, um meio… falta-me inventar um fim.
 
sinto-me: 6 anos mais velho
música: Come What May
publicado por Nuno às 01:39
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